Entrevista em destaque
Carlos Neves, Secretário-geral da APROLEP, fala sobre os desafios da produção de leite em Portugal.
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As cooperativas associadas na Lactogal comunicaram no final de julho uma nova descida de 1,5 cêntimos por litro no preço ao produtor a partir de 1 de agosto, em todo o território continental. Entretanto, na ilha de S. Miguel, nos Açores, a PROLACTO e a INSULAC já responderam com descidas de 2 e 1,5 cêntimos por litro, justificando a descida com a situação dos mercados a nível nacional e internacional.
Esta descida acontece numa ocasião em que aumentam os custos de produção com combustíveis e rações e se espera uma redução na produção de milho silagem devido às ondas de calor. Vamos ter menos alimento para os animais e vai ser, provavelmente, o mais caro de sempre, por causa dos fertilizantes e sobretudo das maiores necessidades de rega, onde houver água, e da menor produção esperada por falta dessa água ou da capacidade de regar face à onda de calor.
Estas descidas são injustas porque o preço do leite ao produtor em Portugal nunca acompanhou as subidas registadas no Norte da Europa ou até mesmo aqui ao lado, na Espanha, e são duplamente injustas porque a ajuda que o nosso Governo deu aos agricultores em Portugal foi várias vezes inferior à ajuda que os agricultores espanhóis, nossos vizinhos e principais concorrentes, receberam por causa da guerra no Irão e do fecho do Estreito de Ormuz.
Estas descidas vão provocar o abandono da atividade por parte dos mais velhos e vão desanimar os jovens que pensavam investir e instalar-se na produção de leite.
Estas descidas ocorrem em período crítico de incêndios, que são cada vez mais graves por causa do abandono dos territórios e dos campos à volta das aldeias. Os campos cultivados alimentam o país e protegem as populações.
Por tudo isto, a APROLEP desafia os restantes compradores a manter o preço do leite ao produtor e desafia quem desceu a repor o preço no próximo mês e sobretudo a trabalhar e investigar para produzir queijos e iogurtes e outros produtos lácteos capazes de substituir os produtos importados que representam um défice de 400 milhões de euros.
A APROLEP desafia as indústrias e cooperativas a partilhar os resultados através do melhor preço aos produtores, para que os produtores possam fazer face aos custos de produção e efetuar os investimentos necessários para o futuro da produção de leite.
A APROLEP renova uma vez mais o apelo ao consumo de leite e produtos lácteos nacionais, produtos de qualidade reconhecida, mais próximos, mais frescos e melhores para a economia de Portugal.
4 de agosto de 2026
A Direção da Aprolep
Um apelo, um protesto e um aviso
Na manhã de 24 de julho, um avião percorreu as praias do Algarve, de Lagos a Vila Real de Santo António, com uma mensagem da APROLEP aos portugueses: BEBA LEITE NACIONAL!
Mais uma vez, de forma diferente e positiva, comunicámos aos consumidores a importância de exigir leite e produtos lácteos nacionais nas prateleiras dos supermercados e nas mesas dos hotéis, restaurantes e cafetarias.
Felizmente, são cada vez mais os que reconhecem que o consumo de leite nacional alimenta os portugueses e a economia de Portugal, porque reduz o défice comercial e mantêm os campos cultivados e longe dos incêndios.
Infelizmente, nem todos praticam isso. Apesar dos nossos repetidos apelos, o leite estrangeiro voltou às prateleiras dos nossos supermercados, através da marca branca “Top Budget” do grupo Intermarché. Em diversas lojas desta cadeia de distribuição, nomeadamente Lagos, no Algarve, está a ser vendido leite francês, com a origem identificada na marca de salubridade, um código com letras pequeninas (FR). É revoltante que a mesma cadeia de supermercados que gasta milhões em publicidade a promover-se como defensora da produção nacional, que vai à Feira Nacional de Agricultura, na primeira oportunidade volte a vender leite estrangeiro! Uma decisão lamentável que desvaloriza a produção de leite e o trabalho dos agricultores portugueses e que merecia um fardo de palha à porta de cada loja.
Esperamos que este mau exemplo seja de curta duração e que as outras cadeias de distribuição tenham outra responsabilidade.
Esperamos que também as indústrias e cooperativas tenham uma atitude responsável no preço do leite ao produtor, neste momento em que as ondas de calor na Europa reduzem as nossas produções agrícolas e aumentam os nossos custos com rega e ventilação, e as hostilidades no Estreito de Ormuz voltam a aumentar os nossos custos de produção, nomeadamente gasóleo e rações.
24 de julho de 2026
A Direção da APROLEP
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